O que é a terapia EMDR e por que ela é revolucionária no tratamento de traumas?
- Gisele Mezabarba

- 21 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 21 de dez. de 2025

Você já sentiu que, por mais que fale sobre um problema na terapia, a dor emocional parece continuar "presa" dentro de você? Muitas vezes, memórias dolorosas do passado continuam ativas no nosso cérebro, disparando ansiedade e medo no presente, como se o evento traumático estivesse acontecendo agora.
É aqui que entra a Terapia EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing), ou em português, Dessensibilização e Reprocessamento por meio dos Movimentos Oculares.
Diferente das terapias tradicionais que focam apenas na fala, o EMDR utiliza a estimulação cerebral para desbloquear memórias traumáticas. Neste artigo, vou explicar de forma simples como essa abordagem funciona e para quem ela é indicada.
Como o EMDR funciona no cérebro?
Para entender o EMDR, precisamos entender o sono REM (Rapid Eye Movement). Quando sonhamos, nossos olhos se movem rapidamente de um lado para o outro. A ciência acredita que é nesse momento que o cérebro processa as experiências do dia, "arquivando" o que é importante e descartando o resto.
Quando vivemos um trauma (um acidente, um abuso, uma perda repentina ou até humilhações constantes), o cérebro falha em processar essa informação. A memória fica "congelada" em uma rede neural isolada, carregada de emoções vivas, cheiros e sensações físicas.
O papel do EMDR é destravar esse processamento.
Durante a sessão, o psicólogo estimula o cérebro do paciente de forma bilateral (alternando esquerda e direita), geralmente através de:
Movimentos oculares (seguindo os dedos do terapeuta ou uma luz);
Sons alternados (fones de ouvido);
Toques táteis (pequenos toques nas mãos ou joelhos).
Essa estimulação simula o sono REM, permitindo que o cérebro acesse a memória traumática e a "reprocesse", tirando a carga emocional dela. A memória continua lá, mas a dor desaparece.
A Terapia EMDR é cientificamente comprovada?
Sim. O EMDR não é uma "terapia alternativa" sem base. Ele é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das terapias mais eficazes para o tratamento do Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT).
Além disso, a American Psychological Association (APA) e diversos conselhos de psicologia ao redor do mundo validam a abordagem baseada em evidências científicas robustas.
Para quem o EMDR é indicado?
Embora seja famoso pelo tratamento de traumas "grandes" (chamados de "T" maiúsculo, como assaltos ou desastres), o EMDR é extremamente eficaz para traumas de "t" minúsculo (eventos contínuos que ferem a autoestima) e outras condições, como:
Ansiedade generalizada e Pânico;
Fobias específicas (medo de avião, dirigir, animais);
Luto complexo;
Depressão;
Dores crônicas sem explicação médica;
Questões de baixa autoestima e crenças negativas ("não sou bom o suficiente").
EMDR ou Terapia Tradicional: Qual escolher?
A terapia tradicional (focada na fala) é excelente para autoconhecimento e mudança de comportamento. O EMDR é mais focado em resolução de sintomas.
Muitos pacientes relatam que o EMDR traz resultados mais rápidos para questões específicas. Em vez de passar anos falando sobre um trauma, o EMDR foca diretamente em "digerir" essa memória. Muitas vezes, as duas abordagens podem ser usadas em conjunto.

Como é uma sessão de EMDR?
Uma sessão típica dura entre 50 a 90 minutos. O processo segue, geralmente, 8 fases, que vão desde a coleta da história do paciente até a reavaliação dos resultados.
É importante ressaltar: você não perde a consciência e não é hipnose. Você está no controle o tempo todo. O terapeuta apenas guia o processo de estimulação enquanto você observa o que vem à sua mente (imagens, pensamentos, sensações).
Conclusão: É possível deixar o passado no passado
Se você sente que memórias antigas ainda controlam suas emoções hoje, o EMDR pode ser a chave para virar essa página. Não é sobre esquecer o que aconteceu, mas sobre lembrar sem sentir dor.
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