O custo invisível da multitarefa: Como o excesso de funções gera estresse e trava sua produtividade
- Gisele Mezabarba

- 12 de abr.
- 3 min de leitura
Atualizado: há 2 dias
Vivemos na era da hiperestimulação. Abrimos dez abas no navegador, respondemos mensagens no WhatsApp enquanto participamos de uma reunião e tentamos planejar o jantar enquanto conferimos uma planilha. Fomos ensinados que ser "multitarefa" é uma habilidade valiosa, um sinal de eficiência.
Mas a ciência e a psicologia dizem o contrário: a multitarefa é um mito.
O que o seu cérebro faz, na verdade, não é processar várias coisas ao mesmo tempo, mas sim "saltar" de uma tarefa para outra em alta velocidade. E esse salto constante tem um preço alto para a sua saúde mental e para a qualidade do que você entrega.

O Mito do Cérebro Multitarefa
O cérebro humano não foi projetado para o multitasking, mas para o foco. Quando você tenta fazer duas coisas complexas ao mesmo tempo, o seu cérebro sofre o que chamamos de "custo de troca" (switch cost).
Cada vez que você desvia a atenção de um relatório para responder uma notificação, o seu cérebro leva alguns minutos para retomar o nível de concentração anterior.
O resultado? Você demora até 40% mais tempo para terminar as tarefas e comete muito mais erros. Esse esforço constante para "reconectar" o foco gera uma fadiga mental profunda, que muitas vezes é confundida com preguiça ou falta de competência.
Como a multitarefa adoece você. Saiba como o excesso de funções gera estresse
O excesso de funções e a tentativa de ser onipresente não afetam apenas o seu trabalho; eles alteram a química do seu corpo.
Aumento do Cortisol: A fragmentação da atenção coloca o corpo em estado de alerta. O cérebro entende que você está sob pressão constante, liberando cortisol e adrenalina.
Ansiedade Generalizada: Esse estado de alerta é o terreno fértil para a ansiedade. Se você sente que seu coração dispara por qualquer notificação, vale ler nosso guia sobre como lidar com a ansiedade no dia a dia.
Dificuldade em Dizer Não: Muitas vezes, a multitarefa nasce da incapacidade de impor limites. Aceitamos tudo para sermos vistos como produtivos, mas acabamos em frangalhos. É o que discutimos no artigo sobre a importância de dizer "não".
A conexão com o Burnout
Quando a multitarefa se torna o seu "modo operacional" padrão, você está a um passo do colapso. O esforço para manter todas as bolas no ar sem deixá-las cair consome as suas reservas de energia psíquica.
Se você chega ao fim do dia sentindo que "trabalhou muito, mas não fez nada" e sente um cansaço que não passa nem com o sono, você pode estar cruzando a linha da produtividade para o esgotamento. Não ignore os sinais: veja se você está apenas cansada ou com Burnout. Entenda que o excesso de funções gera estresse e trava a sua produtividade.
Por que não conseguimos parar? (A visão da Psicologia)
Muitas vezes, a necessidade de fazer mil coisas ao mesmo tempo esconde questões mais profundas:
Perfeccionismo: A ideia de que precisamos ser impecáveis em todas as áreas (filhos, casa, carreira).
Hipervigilância: Um estado de alerta que pode ser herança de traumas emocionais, onde o cérebro sente que precisa monitorar tudo ao redor para estar "seguro".
Nesses casos, a Terapia EMDR pode ser uma aliada poderosa para desativar essa necessidade compulsiva de produtividade e reprocessar as crenças de que o seu valor está apenas no quanto você produz (Entenda como o EMDR atua no cérebro).
3 Passos para retomar o foco e a paz
Monotarefa (Single-tasking): Escolha uma tarefa, feche as outras abas e silencie o celular por 25 minutos. Dê ao seu cérebro a chance de se aprofundar.
Ritual de Encerramento: Defina uma hora para parar. O cérebro precisa saber que o "estado de alerta" acabou.
Seja Gentil com Você: Não tente mudar sua rotina inteira em um dia. Escolha
metas realistas, como ensinei no post sobre Metas de Ano Novo.
Sente que o excesso de funções está travando a sua vida? Às vezes, a desorganização externa é um reflexo de uma sobrecarga interna que precisa de escuta e cuidado profissional. Se você sente que não consegue mais priorizar a si mesma, a terapia online pode te ajudar a resgatar esse equilíbrio.

Sobre a autora
Gisele Mezabarba é psicóloga e atende adultos que enfrentam ansiedade, depressão e traumas, utilizando abordagens baseadas em evidências como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e o EMDR.
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